Quando era mais novo e não sabia o que gostava eu ia para onde
a maioria dos meus amigos iam. Um desses lugares era o Parque de Exposição do
Cordeiro. Lá o forró e o sertanejo fazem a festa. Recordo que na minha
adolescência quem reinava era Calypso. A banda tinha chegado do Pará em solos
pernambucanos e por aqui desfizeram as malas, estavam em todos os programas de
tv, em todas as rádios e em todas as festas.
Quando comecei a viver a cidade de Toritama de segunda à
quarta, já fazia parte dos meus planos ficar por aqui alguns finais de semana
para estudar mais, curtir a morosidade, preparar aula e viver um pouco a cidade
dos meus alunos. A geografia não me era estranha, minha mãe nasceu em terras
toritamenses e aqui tenho familiares, então, ficar por aqui não era ficar só.
Quando fiquei mais velho e consegui me analisar e ver onde
era mais pleno e onde apenas o meu corpo estava, percebi que me agradava
ambientes menores e com músicas um pouco diferente daquelas tocadas nas festas
do Parque de Exposição do Cordeiro. Podendo explorar novos lugares e fazer
novos amigos, fui viver outras coisas.
Quando eu descobri que já em maio ia ter o Festival do Jeans
de Toritama, decidi ficar aqui e participar da festa. Confesso que para além de
viver a cidade eu queria ver Musa, uma banda de brega que costuma tocar em
festas em que o forró e o sertanejo predominam, o que não me agrada,
aqui eu teria a oportunidade de ir conhecer e voltar.
Quando eu percebi que já estava por aqui, do lado do
Festival, decidi ir também para Bruno e Marrone, um dia antes da Musa. Ao chegar
lá, vi-me entrando no Parque de Exposição do Cordeiro de novo, a diferença é
que eu queria está ali. A posição social, certamente, fez diferença. Por certeza eu
não estava pleno. Não é meu ambiente de festa. Mas ali eu não era um “maria
vai com as outras”, ali eu era também o “ei, professor, tudo bom?” e claro que
falei com todos os mais maloqueiros do colégio – aqui fui estratégico, o
objetivo era adquirir credibilidade com aqueles mais desatentos, mas que reinam
entre os outros.
Quando Bruno e Marrone começou eu já tinha tomado algumas latinhas
e o show foi muito bom. Apresentação de festival, repertorio de clássico. Ficou
faltando apenas o “dormiu na praça”. A ida para a festa antes do dia de Musa
também serviu para saber que não seria ali que encontraria uma toritamense. 80%
do público feminino era de menor, entre os 13 e os 16 anos. As mais velhas já
estavam comprometidas e com cara de mulheres de 40.
Quando Priscila Senna finalmente entrou no palco, luzes,
efeitos, cores, fogos. Todo um ambiente para uma decepção. Pareceu um show de
dupla sertaneja. Os bregas novos são românticos feito uma canção popular
sertaneja e o repertório ainda contou com músicas que não são da Musa. Todos os clássicos
bregas que reinavam no início da década, os quais não quis ver ao vivo antes,
foram cantados em 10 minutos, quase como um pout pourri. Assim foi minha ida ao FJT. A
nota positiva fica para as músicas novas que aprendi nos outros shows, como a “e
o peito tá doendo, tomara que seja infarto, se for amor,
eu tô ferrado”. Ah, hoje tem Márcia Felipe, porém, já estou satisfeito. Vou ali
em Caruaru curtir um pé de serra que me é melhor.
Toritama, 04 de maio de 2019

Amey demais
ResponderExcluirAmei!! Arrasou!!
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