domingo, 28 de setembro de 2014

The Same People With The Same Faces, porém vale a pena!

Chão de terra batida. Alguns caminhões e uma combi estacionados.  Motos  vão chegando e adornando mais ainda o cenário do local onde ocorreria o Truck Rock, evento em que os Verdes & Valterianos compareceriam. Como menu culinário, pizza caseira e espetinho de gato. A contrapartida estava na cerveja bem gelada e a expectativa para a apresentação dos V&V.

Já eram 22h10 quando os V&V entraram no palco (um local coberto onde em dia de não show acredito que ficam os caminhões e a combi), quinta banda a se apresentar. O público do evento, que era formado por amigos dos membros das bandas, se aproximou do palco, isso porque metade do público era amigos e admiradores dos Valterianos.

Já na primeira música a gente via alguns esqueletos querendo mexer ao som da trupe que cantava The Same People With The Same Faces, porém foi a rainha do Rock brasileiro que abriu as aportas, digo, que instigou a galera. Claro que sempre há aqueles que não se identificam, por sinal empaquei do lado de uns quando Nívia (Teclado e Voz) cantava Papai Me Empresta o Carro, contudo pude ouvi de um deles: ao menos isso é rock!

O ápice foi ao som de A Verdade Sobre a Nostalgia de Raul. Matheus (voz e performance) já estava sem os sapatos e a camisa, Diego Gonzaga (Contrabaixo) solicitando cerveja a plateia e Diego Blues (Guitarra) abeira de torar uma corda. João Victor (Guitarra) e, principalmente Thiago (Bateria) ganharam um fã especial na plateia. E o público? Cantavam, dançavam, bebiam junto a banda.

O arremate foi com A Garota Num Conto de Fadas de Joelhos Pro Rei, dos Verdeanos. O show findou deixando todos torpes e ansiando mais.

Os garotos Verdes e Valterianos estão sempre pelo centro do Recife. Agora é saber onde e quando vão se apresentar novamente.

domingo, 14 de setembro de 2014

Tomando uma água

Entonce, sabes aquela hora que você não consegue se encontrar mais em alguns lugares, espaços que antes lhe eram tão comuns, redes de contato que lhe davam prazer?!

Há alguns meses um amigo me pediu para escrever um texto (acho que ele falou em crônica) com o tema "fim do ciclo". Tínhamos-nos graduado, fechávamos um ciclo. Estávamos num emaranhado de mudanças. Porém, não sentia.

Acredito que as mudanças nas nossas vidas são mais sensitivas do que impositivas. Do que adianta gritar aos ventos "sou pai", só porque seu espermatozoide fecundou um óvulo, trocando em miúdos, só porque gozou dentro, se você não se comporta feito um pai. (antes que um chato venha discutir o que é ser um pai e blá blá blá, vou conceituar "se comportar feito pai" em "dar amor ao filho, e ponto, ok?! Obrigado e de nada). A propósito, não é meu caso.

Voltando ao meu desencontro.

As mudanças nas nossas vidas não são datadas - vou guardar a data dessa publicação pra saber que foi por esses dias, vai ser apenas parâmetro. Em leves doses as nossas vidas vão se transformando. O pulo do gato é perceber que algumas transformações vão se findando para dar início a outras. Novos ambientes, novos deleites, novos olhares. Outra paisagem compõe a fotografia do seu novo filme, ou melhor, da nova temporada da série da sua vida.

Acho que essa coisa meio "fresca" (nos sentidos conotativo e denotativo) tá acontecendo pelas bandas de cá. É estranho (risos de verdade). Estou dando um tempo em algumas atividades, mas voltarei mais em breve. Vou passar um tempinho sem escrever, mas voltarei! Dou fé! (Só pra não prometer, em período eleitoral qualquer promessa parece piada).

Só pra saber, tô bem! Hahaha


Vou ali tomar uma água.


[Passarei um tempo sem escrever, mas voltarei para uma nova temporada, com postagens menos esparsas e mais ordinárias, e, principalmente, sem esse teor de “diário de adolescente” que a presente postagem aqui possuiu haha]

quinta-feira, 24 de julho de 2014

25.03.2014
14h57

De quebradas, as quebradas não tem nada! Não!
É construção, conversa, diálogo

Conclusão: tudo é diálogo, conversa, construção

Quebram-se cabeças, quebram-se ideias desmontam-se mentes. Todavia, o caminho das novidades passa pela desconstrução que constrói.

Mas me faz pensar que nas ruínas ainda existe o que antes era aquela construção. Parece que construímos a partir de fragmentos antigos.

Construímos tanto que destruímos as vidas ao nosso redor: vidas sem água, sem luz, sem casa. “Vidas secas”, famintas, cheias de lama: cadê às vidas dos mangues? É tudo lama!

Em meio as minhas divagações me vejo outro. Não sei se é poesia ou “pop filosofia” - como diria o professor (Jomard Muniz de Brito).

Filosofema ou simplesmente ação inominada. Independente disso se alterar, se “outrar”, ser outro é tarefa de coragem, se é tudo lama. Lembro-me de Caetano em “Podre Poderes”- também por fala do professor:

“Queria querer cantar afinado com eles
silenciar em seu transe num êxtase
ser indecente
mas tudo é muito mal.”
                                   é?

Será que é mal? O que é mal? Quem inventou o mal? Quero ser outro(a)! Quero ser eu! Quero ser! Ser afinado(a) com eles, com elas, com outros: ser eu, não narciso e não preocupado com o mal.

Rio de Janeiro, às 15h53.

Carolina Braga
Edu Castro
Jandir Jr.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Um antitérmico

tomo um antitérmico antes de dormir
não quero amanhecer doente.
se a doença me atingir
vou ter tempo para perceber
que a vida não anda tão boa.
acordo, faço uma vitamina reforçada
leite, neston, aveia, mel e um ovo cru.
quero forças para a rotina feliz
bom dia.

tomo um antitérmico antes de dormir
não quero amanhecer doente.
ultimamente essa é minha única droga
(mentira! tomei uísque
no último final de semana).
mantenho-me saudável
porém, ela não está aqui
uma distância nos separa
recordo-me seu cheiro.
tomo um antitérmico

boa noite.

Recife, já é julho de 2014

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Não consumo status e não quero enlouquecer!

essa sociedade quer que eu enlouqueça
quer moldar meus desejos
diz que me falta status.
sinto vontade de socar algumas pessoas
bem no centro do rosto
sangrar o nariz.
controlo-me.

os meus amigos me ajudam
eles me entendem
não enlouqueceram
temos nossos próprios desejos.

não faço questão de ver o jogo na tv de led
ou melhor, não faço questão de ver o jogo.
há uma revolução em mim
social e cultural.
dizem que sou louco,
eu penso que não,
não soquei o babaca que tentou beijar a menina que estava comigo no carnaval.


Recife, 13/05/2014.

terça-feira, 13 de maio de 2014

A gaveta.


(Imagem das gavetas de recordações do site bancoderecuerdos.com)


preciso organizar a gaveta!
preciso tirar de perto da minha mão algumas pessoas,
organizar os desenhos que foram presentes,
as poesias incompletas
e descartar as segunda via de contas de outrora
(contas que nunca calculei, apenas paguei).
pós isso ficarei melhor
tomarei uma taça de vinho barato
sem preocupações
sem lembranças ruins
sem pretensões
sem você em mim.

sábado, 15 de março de 2014

Despreocupar-se

Não me preocupo mais com ela
Isso me preocupa
Preocupa-me não me preocupar com ela

Não me atenta se ela foi ao clínico
ou se ela está curtindo a festa

Não me atenta se ela está adoentada
ou se ela quer “chapar” hoje

Embriagada
Ludibriada
Desencantada
Mal-humorada

Não me preocupo mais com ela

‘Saber de sua vida
O cheiro do seu corpo
Conhecer suas idas
E o desenho do seu rosto’.
Já acalentou minh’alma

Não me preocupo mais com ela
Isso me preocupa
Preocupa-me não me preocupar com ela

Preocupa-me, pois seu olhar é
Um rio azul e verde
Com torrente que me desequilibra
Quando vem ao meu encontro

Descartado isso
Não me preocupo mais com ela!

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Memorando.

Encontrei Juliana um dia desses. Quem é Juliana? Conto-te, porém primeiro narro a surpresa:

Era um sábado, umas 23h, eu estava voltando para casa – sei, muito cedo para um rapaz da minha idade, porém ocorre às vezes. Na Av. Conde da Boa Vista espero o coletivo quando uma voz feminina e feliz vem em minha direção: Edu? Eduardo? “Que menina bonita, de onde será qu’eu conheço?”, pensava ao passo que ela se aproximava. Era Juliana.

Juliana foi minha colega de turma, salve falha na memória, da 7ª série ao 3º ano. Não era apenas uma colega de turma, éramos do mesmo grupo de amigos e, reza a lenda, Juliana era apaixonadinha por mim. Digo “reza a lenda” porque nunca conversamos sobre: nunca tive coragem de perguntar e ela nunca veio até mim. Que Deus me perdoe.

Volto ao sábado.

Conversamos depois de quatro, cinco anos. Diálogo longo de sorte e informação, e curtíssimo no tempo.

Descobri que Juliana voltava do trabalho em uma loja de um shopping da zona sul. Descobri também que ela trancou o curso de ciências da computação na UFPE. Descobri que Juliana recorda que vivia me pedindo um poema. E o que eu não queria ter descoberto: lembra que eu nunca dediquei um poema a ela.

Revê-la foi perturbador para minha memória. Não conseguia imaginar que aquela mulher arrumada, maquiada e de salto era também aquela menina do colégio. Aquela menina de farda, olhos castanhos, cabelo bagunçado, e muito brincalhona...

Então comecei a imaginar como será que ela me percebeu. Será que ela me notou mais bonito ou mais feio? Será que estranhou minha barba comprida? Como me reconheceu tão fácil?

Ela voltava do trabalho e eu de uma festa.

Acredito que o encontro durou três minutos, não mais que isso. Ela seguiu para seu ponto de ônibus e eu fiquei ali esperando o meu. Confuso.

Juliana, te dedico esse texto.



PS.: Talvez essas memórias não sejam minhas, só talvez.