quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Memorando.

Encontrei Juliana um dia desses. Quem é Juliana? Conto-te, porém primeiro narro a surpresa:

Era um sábado, umas 23h, eu estava voltando para casa – sei, muito cedo para um rapaz da minha idade, porém ocorre às vezes. Na Av. Conde da Boa Vista espero o coletivo quando uma voz feminina e feliz vem em minha direção: Edu? Eduardo? “Que menina bonita, de onde será qu’eu conheço?”, pensava ao passo que ela se aproximava. Era Juliana.

Juliana foi minha colega de turma, salve falha na memória, da 7ª série ao 3º ano. Não era apenas uma colega de turma, éramos do mesmo grupo de amigos e, reza a lenda, Juliana era apaixonadinha por mim. Digo “reza a lenda” porque nunca conversamos sobre: nunca tive coragem de perguntar e ela nunca veio até mim. Que Deus me perdoe.

Volto ao sábado.

Conversamos depois de quatro, cinco anos. Diálogo longo de sorte e informação, e curtíssimo no tempo.

Descobri que Juliana voltava do trabalho em uma loja de um shopping da zona sul. Descobri também que ela trancou o curso de ciências da computação na UFPE. Descobri que Juliana recorda que vivia me pedindo um poema. E o que eu não queria ter descoberto: lembra que eu nunca dediquei um poema a ela.

Revê-la foi perturbador para minha memória. Não conseguia imaginar que aquela mulher arrumada, maquiada e de salto era também aquela menina do colégio. Aquela menina de farda, olhos castanhos, cabelo bagunçado, e muito brincalhona...

Então comecei a imaginar como será que ela me percebeu. Será que ela me notou mais bonito ou mais feio? Será que estranhou minha barba comprida? Como me reconheceu tão fácil?

Ela voltava do trabalho e eu de uma festa.

Acredito que o encontro durou três minutos, não mais que isso. Ela seguiu para seu ponto de ônibus e eu fiquei ali esperando o meu. Confuso.

Juliana, te dedico esse texto.



PS.: Talvez essas memórias não sejam minhas, só talvez. 

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