sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Fragmentos do real, catados entre as pedras




Ilustração: Guilherme Paolliello

Fazia dois meses que não nos víamos. Ela quem me procurou. Falou sobre voltarmos e eu disse que era melhor não, conversamos e transamos. Diziam que trocamos o namoro pela amizade colorida. O sexo estava massa, inclusive melhor do que nunca. Uma semana sem nos encontrarmos resolvi mandar mensagem: ei, fiz um jantar massa. Ela respondeu: estou indo para um restaurante.

Hoje eu vi minha mãe catando feijão. Quanto tempo eu não a via fazer isso? Comecei a recordar da infância. Não sou nostálgico, mas lembrei de quando criança ajudar a ‘separar as pedras do feijão’. Lembrei das brincadeiras de infância. Pensei que agora adulto não tenho tempo para miudezas. Toda semana tem feijão em casa, mas nunca mais vi minha mãe catar feijão.  Resolvi comentar: nunca mais vi a senhora catar feião. Ela respondeu: é, nunca mais fiz isso. 

Conheci uma menina, ou ela me conheceu. Não lembro mais. Depois de relutar a possibilidade de sair para um encontro, resolvi chama-la. Talvez um cinema. Para não errar, perguntei: que tipo de história tu gosta? Ela respondeu: para ler, ver ou viver?

Um comentário:

  1. Ficou phoda primo...será que catar feijão é uma terapia das mães e não realmente necessários!? Sempre arranzando também né esse sobrenome tem peso...

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