segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Nem frio é igual.


Frio 1

Era o terceiro encontro
O primeiro na varanda do meu apartamento
Tintos e jazz
O cenário mais aconchegante possível
Mas o passado perdido
Surge-me em memórias fantasmagóricas
A timidez viaja no tempo
Desembarca sem pista de pouso
Perco-me
Ela respira calma
Faceira
Aproxima-se


Frio 2

A dor começa às cinco da manhã
Um momento em que não estou acordado
Tão pouco sonhando
Dói da ponta do nariz
Aos dedões dos pés
Meu peito, a barriga
Toda frente do meu corpo treme
Meus braços
Entrelaçado em panos
Lençóis e edredom
Não há ar-condicionado nem ventilador
E estou em Recife

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