A
noite de ontem foi daquelas que nem livro nem seriado fazem companhia. Resolvi
caminhar por aqui por perto e fui parar na Praça da Torre, como há muito não
faço. E quem encontro jogando dominó e cada vez mais enrugado? O velho e sincero
Seu Conrado – senhor que tanto admiro e o homenageei nesse pequeno espaço onde
escrevo.
Nos
cumprimentamos com aceno e sentei sozinho próximo ao barulho das peças, em um
espaço circular com quatro bancos que conversam silenciosos, pois os espaços públicos
são cada vez menos ocupados. Fui me deixando estar sozinho, na pequena
esperança do velho senhor sentar do meu lado e contar alguma história como
fazia quando eu criança.
Minha
avó paterna morava na rua Diogo Álvares, esquina com a praça, e quando criança,
parar naquele lugar e ouvir as histórias do, nem tão velho na época, seu
Conrado, era um momento de diversão. Recordo-me das vezes em que meu pai
aparecia na praça e seu Conrado estava na metade de uma aventura. “Para de
inventar história Conrado”, falava simpaticamente meu pai. O velho sempre
respondia argumentando as ausências do meu pai, “nessa época Edson morava na
Bahia, por isso não sabe”, ou “teu pai sempre foi assim chato, não saia com a
gente e perdia as histórias”.
“Tá
com pressa por quê? ” Perguntou o velho quando decidi por ir embora e já estava
cruzando os limites entre a praça e a calçada. Voltei. Sentei novamente no
banco e ele veio, bem lento é verdade, mas veio. “O que aconteceu, acabou um
namoro ou perdeu o emprego? ”, sorri.