domingo, 12 de fevereiro de 2017

Como há muito não faço


A noite de ontem foi daquelas que nem livro nem seriado fazem companhia. Resolvi caminhar por aqui por perto e fui parar na Praça da Torre, como há muito não faço. E quem encontro jogando dominó e cada vez mais enrugado? O velho e sincero Seu Conrado – senhor que tanto admiro e o homenageei nesse pequeno espaço onde escrevo.

Nos cumprimentamos com aceno e sentei sozinho próximo ao barulho das peças, em um espaço circular com quatro bancos que conversam silenciosos, pois os espaços públicos são cada vez menos ocupados. Fui me deixando estar sozinho, na pequena esperança do velho senhor sentar do meu lado e contar alguma história como fazia quando eu criança.

Minha avó paterna morava na rua Diogo Álvares, esquina com a praça, e quando criança, parar naquele lugar e ouvir as histórias do, nem tão velho na época, seu Conrado, era um momento de diversão. Recordo-me das vezes em que meu pai aparecia na praça e seu Conrado estava na metade de uma aventura. “Para de inventar história Conrado”, falava simpaticamente meu pai. O velho sempre respondia argumentando as ausências do meu pai, “nessa época Edson morava na Bahia, por isso não sabe”, ou “teu pai sempre foi assim chato, não saia com a gente e perdia as histórias”.


“Tá com pressa por quê? ” Perguntou o velho quando decidi por ir embora e já estava cruzando os limites entre a praça e a calçada. Voltei. Sentei novamente no banco e ele veio, bem lento é verdade, mas veio. “O que aconteceu, acabou um namoro ou perdeu o emprego? ”, sorri.

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