terça-feira, 24 de novembro de 2015

Procura-se um cúmplice.

Testamento de um Gângster (1963)

Alguém que corrobore com meus crimes,
que me dê cobertura e ideias.
Alguém que afirme 
que eu estava sim,
onde eu não estive.
Que limpe a prova do delito
não dito de ontem à noite.
Os crimes sempre dolosos, 
quiçá hediondos,
do qual visaremos o ilícito,
não explícito.
Alguém que seja solícito.

Alguém que tenha fraca ideologia,
que saiba que política é importante,
mas que concorde
que é melhor discutir isso amanhã.
Um cúmplice para o pecado
e que saiba que pecado não existe.
Um cúmplice para as responsabilidades,
que é  andar nas vielas das cidades,
que ainda resistem. 

Auxiliar-te-ei nos teus erros,
e nos teus acertos de contas.
Emprestar-te-ei dinheiro sem juros,
usuras e frescuras.
Nos teus crimes estarei presente,
do outro lado da rua,
dentro do carro de portas abertas.

4 comentários: