Foi em um sábado de manhã, Arthur já
estava acordado e tomava café, sim só café. A televisão estava ligada, porém
para as paredes, o importante era o som que ela soltava no apartamento, porque
os pensamentos de Arthur voavam displicentes.
De repente o som do televisor é incomodado
pelo da campainha. Arthur se assusta, não eram nem 10 da manhã e ele não
esperava visita. Preocupado veste uma camisa e aproxima o olho direito do olho
mágico. Outro espanto. Era Bruna.
Bruna: ex-namorada, ex-cumplice,
“ex-amiga”. Namoraram por quase dois anos e os amigos diziam que eles eram
quase um. Era ela!
A aparição súbita de Bruna causou um
torpor inexplicável em Arthur, era um êmbolo com alegria e tristeza.
“Como assim? O que ela quer? Esqueceu
algo?” Se indagava Arthur.
Abre a porta.
- Cuidado, mudei alguns moveis de lugar.
Com uma fala carregada de ironia e talvez rancor, Arthur recebeu a menina.
Timidamente Bruna adentra o apartamento,
que até quase pouco tempo era praticamente seu segundo habitat. Arthur ajeita
café. Os primeiros diálogos são tácitos, monossilábicos. Oi. Oi. Tudo bem? Tudo
bem.
Não se olham. Um macho medroso e uma fêmea
tímida.
- Você já começou o novo estágio? – São
sempre as mulheres que começam.
O rapaz está tão atordoado que contesta
apenas com o movimento da cabeça. Ele não sabe como reagir com a presença dela.
Ele não sabe o que representa.
A campainha toca. Quem será agora? Pensa
Arthur.
- Você está esperando vista? Estou
atrapalhando?
- Não. Este dia é atípico tomando como
parâmetro meu ultimo mês.
Arthur vai ao olho mágico. MÃE?!
- Oi, Arthur, oi, Bruna. Arthur, sua tia
está muito mal, tive que trazê-la para o Recife ontem à noite. Só vim tomar um
banho e já vou embora. Desculpe por não ter avisado, sei que você não gosta. O
que houve aqui? Vocês estão brigando? Vou para seu quarto e depois tomarei
banho. Vou deixar vocês à vontade.
Bruna está surpreendida, Arthur ainda não
tinha contado para sua mãe. De certa forma, isso a deixou feliz.
Em alguns passos e estão na varanda. A
intenção dele era se afastar para sua mãe não auscultar.
Talvez não fosse a intenção de Arthur, mas
na varanda eles ficaram mais próximos, quase se tocam. Maior contato entre eles
no ultimo mês.
- Arthur, refleti muito esses dias e ontem
à noite eu lembrei um pouco mais de você, ou da gente, e vi que era hora de vim
falar com você.
Enquanto ela fala, eles se aproximam. É
visível o nervosismo em ambos. Bruna continua falando, monologo rico e
completo, daqueles que minha mente limitada de homem não consegue reproduzir.
Perdon.
“Por um tempo o amor funciona por si só!”
Afirmaria algum especialista em sentimentos se referindo a essa cena que findou
com um beijo. É (!) eles se beijaram. Sabe aquele beijo que ninguém consegue
apontar quem começou? Foi exatamente assim.
Como a vida não é um conto de fadas, e os
episódios em nossas vidas são cheios de desacertos, talvez Arthur tentasse
protagonizado mais um. Arthur corta o afeto no meio e se afasta da menina
lamentando.
- Desculpa.
- Estou grávida!
Fim(?).
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