Uma
bituca de cigarro no chão ainda soltava fumaça quando João sentou-se no batente
em frente onde tinha marcado de se encontrar com Ana. João e Ana já namoravam
há um mês e nesse dia Ana faria uma revelação para o João.
Ana
pisa na bituca do cigarro apagando-o por definitivo e senta-se do lado do
namorado, os dois se beijam e trocam carinhos habituais de um casal. Cessando
os afetos, Ana diz a João que precisa lhe falar algo. João está apreensivo.
-
João, queria lhe contar uma coisa, mas antes queria que você soubesse que eu te
amo e que nunca o traí.
Para
aí. Será que em um mês de namoro já há espaço para uma traição? Não que haja um
período mínimo de tempo de relacionamento em que a traição já pode ser recebida
sem problemas. Não, não estou dizendo isso. O que me questiono é porque Ana se
preocupou em iniciar o diálogo afirmando que nunca traiu João, estando os dois
namorando apenas há um mês? E o que você acha da traição?
-
Por que você está falando isso, assim, agora, aqui? É porque eu não digo “eu te
amo”? Saiba, eu te amo muito, Ana!
João
fica nervoso, está apaixonado. Pega um cigarro, o isqueiro vermelho e faz
fumaça. Ana por outro lado está bastante calma, cheira o namorado, o que o
acalma.
-
João, eu acredito que o amor preso é um amor pobre. Eu te amo e tu me amas,
isso é lindo eu sei, mas só isso não é tudo. Não quero te ver preso...
João
não consegue compreender a menina. Está assustado. “Pobre? Amor pobre?” Não
entende. Continua ela:
-
Você conhece o Amor Livre?
João
está estatelado, pranchado, estupefado, abismado, confuso... Não ouve mais
nada. Menino do interior, nascido e criado em Ribeirão, Zona da Mata Sul de
Pernambuco, não compreendia como aquela doce menina por quem se apaixonara,
agora falava essas coisas...
-
Surgiu no século XIX e sua ideia, deturpada com o
tempo, não representava a liberdade sexual em si, pura e simplesmente, mas a
liberdade de se relacionar com quem quisesse...
O rapaz dá o ultimo trago no cigarro. Respira fundo. Dá um
beijo na moça e diz: “foi um prazer ter te conhecido”.
Ana fica triste, chora um pouco. Tinha se apaixonado por
ele também, mas suas convicções eram maiores. Tira um espelho da bolsa, se
olha, guarda o espelho e vai embora. Nunca mais os vi por aqui.
Apenas uma desculpa para acabar um namoro!!!
ResponderExcluiro texto parece incompleto
ResponderExcluirCara, digamos que só vi até essa cena, e ela acabou aí, sem um diálogo, sem que João tentasse compreender a menina... Mas o que ocorreu depois disso eu não sei, não vi.
ResponderExcluirA vida tem dessas coisas de ser incompleta.
A vida tem dessas coisas de ser incerta.
A vida tem dessas coisas de ser injusta.
A vida tem dessas coisas de ser vida.
A incompreensão ditou os caminhos do amor pobre deles dois! Se não há espaço para o diálogo, para se buscar entender melhor o alguém a quem se ama, então dificilmente haverá espaço para outras possibilidades de enriquecer o relacionamento, seja com a liberdade de um amor livre, ou com a extrema fidelidade.
ResponderExcluirO texto suscita uma continuidade sim, mas não o jugo incompleto. O rapaz se levanta e sai com o amargo gosto do seu cigarro, levando consigo a possibilidade de uma continuidade na história deste casal. Quem sabe um não acabe reencontrado o outro, em outras circunstâncias...
Se o texto ficou incompleto...?! O Amor, em geral, fica incompleto também. Depois do beijo, depois do adeus, depois do tapa... sempre caberia algo mais. Mas não vem... O medo pontua os períodos com que compomos nossas histórias amorosas. Tantos pontos finais absolutamente inadequados... tantas interrogações se respondem por si.
ResponderExcluirDeixa Ana e deixa João!