terça-feira, 5 de abril de 2016

Não era meu.

Ela alegou que éramos parecidos
éramos alegres iguais
éramos cheios de amigos iguais
Que nossos desgostos musicais
e o desprazer por festas eram os mesmos.
Alegou que nos conhecíamos
os pecados e sonhos.
Mostrei-lhe um poema
Ela ficou confusa
Pensou que lhe havia escrito.
O poema era bonito e falava dela comigo.
O poema não era meu – por sorte.
No passado... Ah, no passado.
Recordo-me:
A felicidade de Isabel quando lhe escrevi de um carnaval
Renata se encantava quando se via nos versos
(Certa vez veio pedir desculpas pela falta de recíproca – que boba).
Adriana se encantou quando se viu descrita em versos mordidos
Hadassa me deu depois de um poema que ela sabia que era para ela
mesmo sem dedicatória.
Mas essa moça de agora...
"Droga, ele me escreveu, que merda."
O poema não era meu
Por sorte.
Sim, também acredito
somos parecidos.

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