Encontrei Juliana um dia desses.
Quem é Juliana? Conto-te, porém primeiro narro a surpresa:
Era um sábado, umas 23h, eu estava voltando
para casa – sei, muito cedo para um rapaz da minha idade, porém ocorre às vezes.
Na Av. Conde da Boa Vista espero o coletivo quando uma voz feminina e feliz vem
em minha direção: Edu? Eduardo? “Que menina bonita, de onde será qu’eu
conheço?”, pensava ao passo que ela se aproximava. Era Juliana.
Juliana foi minha colega de
turma, salve falha na memória, da 7ª série ao 3º ano. Não era apenas uma colega
de turma, éramos do mesmo grupo de amigos e, reza a lenda, Juliana era
apaixonadinha por mim. Digo “reza a lenda” porque nunca conversamos sobre:
nunca tive coragem de perguntar e ela nunca veio até mim. Que Deus me perdoe.
Volto ao sábado.
Conversamos depois de quatro,
cinco anos. Diálogo longo de sorte e informação, e curtíssimo no tempo.
Descobri que Juliana voltava do
trabalho em uma loja de um shopping da zona sul. Descobri também que ela
trancou o curso de ciências da computação na UFPE. Descobri que Juliana recorda
que vivia me pedindo um poema. E o que eu não queria ter descoberto: lembra que
eu nunca dediquei um poema a ela.
Revê-la foi perturbador para
minha memória. Não conseguia imaginar que aquela mulher arrumada, maquiada e de
salto era também aquela menina do colégio. Aquela menina de farda, olhos
castanhos, cabelo bagunçado, e muito brincalhona...
Então comecei a imaginar como
será que ela me percebeu. Será que ela me notou mais bonito ou mais feio? Será
que estranhou minha barba comprida? Como me reconheceu tão fácil?
Ela voltava do trabalho e eu de
uma festa.
Acredito que o encontro durou
três minutos, não mais que isso. Ela seguiu para seu ponto de ônibus e eu
fiquei ali esperando o meu. Confuso.
Juliana, te dedico esse texto.
PS.: Talvez essas memórias não
sejam minhas, só talvez.