terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Nem bons amigos.

Você não gosta dos filmes que eu gosto
Eu nunca assisto aos filmes que você me indica

Eu não suporto as musicas que você ouve
Você acha estranhas as músicas que eu ouço

Você não gosta dos meus amigos
Eu nem conheço seus amigos

Eu acho sua forma de falar agressiva
Você diz que eu sou sempre pedante

Você crê que agora não tem mais por quê
Eu não posso discordar.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Arthur e Bruna eram quase um – ou ainda são. (3 de 3)

Em alguns passos e estão na varanda. A intenção dele era se afastar para sua mãe não auscultar.

Talvez não fosse a intenção de Arthur, mas na varanda eles ficaram mais próximos, quase se tocam. Maior contato entre eles no ultimo mês.

- Arthur, refleti muito esses dias e ontem à noite eu lembrei um pouco mais de você, ou da gente, e vi que era hora de vim falar com você.

Enquanto ela fala, eles se aproximam. É visível o nervosismo em ambos. Bruna continua falando, monologo rico e completo, daqueles que minha mente limitada de homem não consegue reproduzir. Perdon.

“Por um tempo o amor funciona por si só!” Afirmaria algum especialista em sentimentos se referindo a essa cena que findou com um beijo. É (!) eles se beijaram. Sabe aquele beijo que ninguém consegue apontar quem começou? Foi exatamente assim.

Como a vida não é um conto de fadas, e os episódios em nossas vidas são cheios de desacertos, talvez Arthur tentasse protagonizado mais um. Arthur corta o afeto no meio e se afasta da menina lamentando.

- Desculpa.

- Estou grávida!


Fim(?).

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Arthur e Bruna eram quase um – ou ainda são. (2 de 3)



Timidamente Bruna adentra o apartamento, que até quase pouco tempo era praticamente seu segundo habitat. Arthur ajeita café. Os primeiros diálogos são tácitos, monossilábicos. Oi. Oi. Tudo bem? Tudo bem.

Não se olham. Um macho medroso e uma fêmea tímida.

- Você já começou o novo estágio? – São sempre as mulheres que começam.

O rapaz está tão atordoado que contesta apenas com o movimento da cabeça. Ele não sabe como reagir com a presença dela. Ele não sabe o que representa.

A campainha toca. Quem será agora? Pensa Arthur.

- Você está esperando vista? Estou atrapalhando?

- Não. Este dia é atípico tomando como parâmetro meu ultimo mês.

Arthur vai ao olho mágico. MÃE?!

- Oi, Arthur, oi, Bruna. Arthur, sua tia está muito mal, tive que trazê-la para o Recife ontem à noite. Só vim tomar um banho e já vou embora. Desculpe por não ter avisado, sei que você não gosta. O que houve aqui? Vocês estão brigando? Vou para seu quarto e depois tomarei banho. Vou deixar vocês à vontade.

Bruna está surpreendida, Arthur ainda não tinha contado para sua mãe. De certa forma, isso a deixou feliz.

Arthur percebendo o contentamento na menina, atira:

- Ainda não fui à casa dos meus pais desde então. Mas diga-me, o que a trouxe aqui?

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Arthur e Bruna eram quase um – ou ainda são. (1 de 3)

Foi em um sábado de manhã, Arthur já estava acordado e tomava café, sim só café. A televisão estava ligada, porém para as paredes, o importante era o som que ela soltava no apartamento, porque os pensamentos de Arthur voavam displicentes.

De repente o som do televisor é incomodado pelo da campainha. Arthur se assusta, não eram nem 10 da manhã e ele não esperava visita. Preocupado veste uma camisa e aproxima o olho direito do olho mágico. Outro espanto. Era Bruna.

Bruna: ex-namorada, ex-cumplice, “ex-amiga”. Namoraram por quase dois anos e os amigos diziam que eles eram quase um. Era ela!

A aparição súbita de Bruna causou um torpor inexplicável em Arthur, era um êmbolo com alegria e tristeza.

“Como assim? O que ela quer? Esqueceu algo?” Se indagava Arthur.

Abre a porta.

- Cuidado, mudei alguns moveis de lugar.

Com uma fala carregada de ironia e talvez rancor, Arthur recebeu a menina.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Pensando em Soluços

I- Cenário

Sábado, praça do Carmo, Olinda, show, Jards Macalé.
Objetivos: distração (fuga de uma semana cruel); conversar com amigos, tomar cerveja e Axé (Axé!); ah sim, paquerar também, claro.

II- Instante

Macalé inicia os “Soluços” (a música!). Uma menina linda do meu lado diz: “presta atenção nessa música”. Fiquei atento.
Sintam (!) o drama escrito: “Quando você me encontrar / Não fale comigo, não olhe pra mim / Eu posso chorar. / E quando eu choro eu tenho soluços / E os soluços estragam minha garganta / E, além disso, eu uso lenços de papel / Eles se desfazem quando molham / Meus olhos ficam vermelhos e irritados / Eu ainda não comprei meus óculos escuros”.

III- Desorientação e reflexão

Embasbacado ouvindo a música. Vista totalmente enxovalhada para a realidade. Matutava: “esse cidadão levou um pé na bunda ontológico, ele estava apaixonado pra caralho!”. Mas o mais extraordinário naquele momento para mim: “como ele tinha coragem de jogar essas coisas assim? Todos estão ouvindo!”.
Cá com meus botões, tentei recordar algo que escrevi que condizia com a minha realidade sentimental de fato e de direito – eu me escondo. Quase que desiludido de encontrar, recordei-me de um poema que escrevera ao findo de um carnaval. Guardava tanto de mim naquelas palavras que tinha vergonha, passei uns três meses para mostrar para alguém. Guardava por ele um sentimento de orgulho e embaraço.

IV Fim

Tu que teve coragem de ler até aqui, diz-me uma coisa: tu terias coragem de falar/escrever/cantar tantas dores assim como Jards Macalé?
Ah, nesse mesmo dia teve ‘show’ de Gilberto Gil, foi ruim.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Amor pobre, pobre amor?!

Uma bituca de cigarro no chão ainda soltava fumaça quando João sentou-se no batente em frente onde tinha marcado de se encontrar com Ana. João e Ana já namoravam há um mês e nesse dia Ana faria uma revelação para o João.

Ana pisa na bituca do cigarro apagando-o por definitivo e senta-se do lado do namorado, os dois se beijam e trocam carinhos habituais de um casal. Cessando os afetos, Ana diz a João que precisa lhe falar algo. João está apreensivo.

- João, queria lhe contar uma coisa, mas antes queria que você soubesse que eu te amo e que nunca o traí.

Para aí. Será que em um mês de namoro já há espaço para uma traição? Não que haja um período mínimo de tempo de relacionamento em que a traição já pode ser recebida sem problemas. Não, não estou dizendo isso. O que me questiono é porque Ana se preocupou em iniciar o diálogo afirmando que nunca traiu João, estando os dois namorando apenas há um mês? E o que você acha da traição?

- Por que você está falando isso, assim, agora, aqui? É porque eu não digo “eu te amo”? Saiba, eu te amo muito, Ana!

João fica nervoso, está apaixonado. Pega um cigarro, o isqueiro vermelho e faz fumaça. Ana por outro lado está bastante calma, cheira o namorado, o que o acalma.

- João, eu acredito que o amor preso é um amor pobre. Eu te amo e tu me amas, isso é lindo eu sei, mas só isso não é tudo. Não quero te ver preso...

João não consegue compreender a menina. Está assustado. “Pobre? Amor pobre?” Não entende. Continua ela:

- Você conhece o Amor Livre?

João está estatelado, pranchado, estupefado, abismado, confuso... Não ouve mais nada. Menino do interior, nascido e criado em Ribeirão, Zona da Mata Sul de Pernambuco, não compreendia como aquela doce menina por quem se apaixonara, agora falava essas coisas...

- Surgiu no século XIX e sua ideia, deturpada com o tempo, não representava a liberdade sexual em si, pura e simplesmente, mas a liberdade de se relacionar com quem quisesse...

O rapaz dá o ultimo trago no cigarro. Respira fundo. Dá um beijo na moça e diz: “foi um prazer ter te conhecido”.
Ana fica triste, chora um pouco. Tinha se apaixonado por ele também, mas suas convicções eram maiores. Tira um espelho da bolsa, se olha, guarda o espelho e vai embora. Nunca mais os vi por aqui.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O diário de Iolanda S.

Resolvi escrever um diário. Tenho 23 anos. Um pouco tarde para ter o primeiro diário, não? É sim, eu sei. Mas minha vida é assim, desarmônica, desritmada, um tanto estranha e infeliz. Para uma menina q foi diagnosticada depressiva com 7 anos de idade, iniciar um diálogo com um diário depois de velha, é fichinha.

Não sei como dou partida a isso...

Recife, 24 de julho de 2013.
-Oi querido diário... Hum, não, não.

Já sei! Vou dá um apelido carinhoso, fofo: Didi. É bom que ganho um amigo imaginário, já que fazer amigos nunca foi meu forte...

Olá Didi, tudo bem? Espero que sim, porquê para mim a vida tá uma merda, e ultimamente só tem piorado. Já que a gente não se conhece ainda, vou dá um apanhado da droga que é a vida que possuo.

Meu pai era um fã incondicional de Raul Seixas e fez com minha mãe, comigo e com meus irmãos, o que o Raul fez com Edith e Simone, sua primeira esposa e filha mais velha: largou-nos e foi pro mundo. Ele perdeu o medo da chuva e deixou a filha gripada pra sempre. Raul fdp!

Minha mãe casou novamente, e de lá pra cá diz na minha cara toda manhã que fez isso pra me alimentar. Ela me ama, não? Não. Todo dia me cobra uma aprovação em um concurso público, exige um emprego milionário, um futuro brilhante, hollywoodiano ou das personagens de Manuel Carlos.

Carinho? Faz tempo que não sei o que é isso, faz tempo mesmo. Meu ultimo namorado era um católico pisciano. Poderia acabar por aqui, mas não, continuo. O infeliz era tão dramático que certa vez chorou enquanto fazíamos sexo. Eu tinha paciência, eu o amava. Mas acabamos e ele já está com outra.

É Didi, acho que já deu para conhecer um pouquinho de mim, vê que as coisas não estão, digo, não são fáceis para mim.

Penso que agora já posso começar a narrar como foi meu dia, já que isso é um diário. Mas estou cansada e com sono. Amanhã eu volto. Pensando bem não vou prometer voltar amanhã. Até logo! Encerrar assim livre de compromissos é mais vantajoso, num sei bem como será meu amanhã.


Boa noite, Didi. 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Poemas dispersos, displicentes e despretenciosos

Por querer-te de vez em quando
Fui condenado a querer-te sempre
E por querer-te sempre
Fui condenado a viver querendo te esquecer
E por querer te esquecer
Fui condenado a sempre lembrar
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O orvalho
Deixou meu cabelo molhado
Fiquei quase gripado
E ela não se apaixonou
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Desamor
diz a dor
que a mim
esqueça.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Contos Contados Compressa Quente/Com Pressa

Um casal troca os beijos por uma briga aporrinhadora na Praça da Torre, seu Conrado, como um velho enxerido, larga o dominó e se interfere:


- Ei vocês dois, nem oito nem oitenta. Trinta e seis!



E volta para a carroça de duque.


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Quinta-feira, 2 de maio de 1996. As 11h45 da manhã tocaram a sirene. Crianças sujas, melequentas e felizes correram, fugiam daquelas salas cheias de desenhos de animais e letras chatas, como o malvado “o” do tracinho pra cima. Alguns pais já esperavam seus filhos no portão, menos os pais de João. 12h e nada da mãe de João. 12h30 no pátio da escola só a tia Patrícia e João, João está triste e tia Patrícia está com fome. 13h15 chega a mãe de João, pede desculpas a professora Patrícia e leva João. João ficou feliz e ainda lembra-se desse dia.


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Com os olhos fixos no computador, maravilhava-se com os projetos de covinhas que as lindas bochechas dela delineiam quando ela sorrir. E entre aquelas fotografias, ele imaginava receber uma ligação dela, um retorno a sua chamada da noite anterior.



“Trim! trim! trim!”


Um sorriso no rosto dele era visível por todos, mesmo ele estando só no quarto. Todavia o celular trazia tão somente uma mensagem do amigo reclamando do seu atraso para o grupo de estudo, já eram 16h20.
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Na varanda do apartamento ele bebia com amigos e amigos dos amigos. Ele ouvia vários tipos de histórias. Histórias particulares e histórias talvez faceiradas. Todavia, entre todas as histórias que ouvia, a que mais o incomodava era a dele, que pra ninguém contava.

sábado, 29 de junho de 2013

Primeiro poste/post

Resolvi escrever, uma vez por semana, não sei o quê ainda. Na minha ânsia por ser escritor, tenho que praticar e vai ser aqui, neste blog.

A ideia de fazer isso, escrever constantemente, já existia na minha mente, porém foi com a leitura de “Zen e a Arte da Escrita” de Ray Bradbury, que tive coragem de iniciar. Neste livro encontram-se dicas da arte da escrita dadas por um mestre do ofício. Bradbury, entre tantos ensinamentos, manda que pratiquemos.

"Toda manhã, pulo da cama e piso num campo minado. O campo minado sou eu. Depois da explosão, passo o resto do dia juntando os pedaços. Agora é sua vez. Pule!", me obrigou Bradbury. Pulando!

O título.

O blog foi intitulado “Caminhos, Vícios e Seu Conrado” não por acaso. O blog de um aspirante a escritor vai ser cheio de seus (meus) caminhos. Todo mundo que escreve, escreve caminhos, caminhos que viveu, que quis viver, que viu alguém viver...

E os vícios? Quem não tem um vício que atire a primeira pedra. Não esqueça que falo aqui dos vícios salutares, dos vícios nosso de cada dia. O que é um homem sem um bom vício? Entendendo quão comum e inato ao homem é o vício, já se sabe que os vícios estarão presentes neste Blog.

Por fim, seu Conrado. Todo mundo precisa de uma referência, um guru, um mestre, alguém com a voz do empirismo, a sabedoria rica em experiência onde podemos pegar os bons conselhos. Pois bem, nosso guia espiritual é Seu Conrado – digo nosso porque quem conhece seu Conrado se apaixona, e vocês vão conhecer.

Pois bem, sejam bem vindos a esse mundo de caminhos, vícios e conselhos. Esse é o primeiro poste/post que finco para iluminar o Caminho.


Cheguei e quero ficar, até semana que vem.