domingo, 5 de maio de 2019

Quando teve o FJT e não teve amor nem infarto



Quando era mais novo e não sabia o que gostava eu ia para onde a maioria dos meus amigos iam. Um desses lugares era o Parque de Exposição do Cordeiro. Lá o forró e o sertanejo fazem a festa. Recordo que na minha adolescência quem reinava era Calypso. A banda tinha chegado do Pará em solos pernambucanos e por aqui desfizeram as malas, estavam em todos os programas de tv, em todas as rádios e em todas as festas.

Quando comecei a viver a cidade de Toritama de segunda à quarta, já fazia parte dos meus planos ficar por aqui alguns finais de semana para estudar mais, curtir a morosidade, preparar aula e viver um pouco a cidade dos meus alunos. A geografia não me era estranha, minha mãe nasceu em terras toritamenses e aqui tenho familiares, então, ficar por aqui não era ficar só.

Quando fiquei mais velho e consegui me analisar e ver onde era mais pleno e onde apenas o meu corpo estava, percebi que me agradava ambientes menores e com músicas um pouco diferente daquelas tocadas nas festas do Parque de Exposição do Cordeiro. Podendo explorar novos lugares e fazer novos amigos, fui viver outras coisas.

Quando eu descobri que já em maio ia ter o Festival do Jeans de Toritama, decidi ficar aqui e participar da festa. Confesso que para além de viver a cidade eu queria ver Musa, uma banda de brega que costuma tocar em festas em que o forró e o sertanejo predominam, o que não me agrada, aqui eu teria a oportunidade de ir conhecer e voltar.

Quando eu percebi que já estava por aqui, do lado do Festival, decidi ir também para Bruno e Marrone, um dia antes da Musa. Ao chegar lá, vi-me entrando no Parque de Exposição do Cordeiro de novo, a diferença é que eu queria está ali. A posição social, certamente, fez diferença. Por certeza eu não estava pleno. Não é meu ambiente de festa. Mas ali eu não era um “maria vai com as outras”, ali eu era também o “ei, professor, tudo bom?” e claro que falei com todos os mais maloqueiros do colégio – aqui fui estratégico, o objetivo era adquirir credibilidade com aqueles mais desatentos, mas que reinam entre os outros.

Quando Bruno e Marrone começou eu já tinha tomado algumas latinhas e o show foi muito bom. Apresentação de festival, repertorio de clássico. Ficou faltando apenas o “dormiu na praça”. A ida para a festa antes do dia de Musa também serviu para saber que não seria ali que encontraria uma toritamense. 80% do público feminino era de menor, entre os 13 e os 16 anos. As mais velhas já estavam comprometidas e com cara de mulheres de 40.

Quando Priscila Senna finalmente entrou no palco, luzes, efeitos, cores, fogos. Todo um ambiente para uma decepção. Pareceu um show de dupla sertaneja. Os bregas novos são românticos feito uma canção popular sertaneja e o repertório ainda contou com músicas que não são da Musa. Todos os clássicos bregas que reinavam no início da década, os quais não quis ver ao vivo antes, foram cantados em 10 minutos, quase como um pout pourri. Assim foi minha ida ao FJT. A nota positiva fica para as músicas novas que aprendi nos outros shows, como a “e o peito tá doendo, tomara que seja infarto, se for amor, eu tô ferrado”. Ah, hoje tem Márcia Felipe, porém, já estou satisfeito. Vou ali em Caruaru curtir um pé de serra que me é melhor.



Toritama, 04 de maio de 2019