Um casal troca os
beijos por uma briga aporrinhadora na Praça da Torre, seu Conrado, como um
velho enxerido, larga o dominó e se interfere:
- Ei vocês dois, nem
oito nem oitenta. Trinta e seis!
E volta para a carroça
de duque.
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Quinta-feira, 2 de maio
de 1996. As 11h45 da manhã tocaram a sirene. Crianças sujas, melequentas e
felizes correram, fugiam daquelas salas cheias de desenhos de animais e letras
chatas, como o malvado “o” do tracinho pra cima. Alguns pais já esperavam seus
filhos no portão, menos os pais de João. 12h e nada da mãe de João. 12h30 no
pátio da escola só a tia Patrícia e João, João está triste e tia Patrícia está
com fome. 13h15 chega a mãe de João, pede desculpas a professora Patrícia e
leva João. João ficou feliz e ainda lembra-se desse dia.
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Com os olhos fixos no
computador, maravilhava-se com os projetos de covinhas que as lindas bochechas
dela delineiam quando ela sorrir. E entre aquelas fotografias, ele imaginava
receber uma ligação dela, um retorno a sua chamada da noite anterior.
“Trim!
trim! trim!”
Um
sorriso no rosto dele era visível por todos, mesmo ele estando só no quarto.
Todavia o celular trazia tão somente uma mensagem do amigo reclamando do seu
atraso para o grupo de estudo, já eram 16h20.
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Na varanda do
apartamento ele bebia com amigos e amigos dos amigos. Ele ouvia vários tipos de
histórias. Histórias particulares e histórias talvez faceiradas. Todavia, entre
todas as histórias que ouvia, a que mais o incomodava era a dele, que pra
ninguém contava.